Há 30 anos, os Jogos Olímpicos de Atlanta marcaram o início de uma nova era para o esporte feminino brasileiro. Em 1996, mulheres do Brasil conquistaram, pela primeira vez, medalhas olímpicas, com destaque para o vôlei, responsável por três dos quatro pódios femininos do país naquela edição.
As primeiras medalhas vieram no vôlei de praia, que estreava no programa olímpico. Em uma final totalmente brasileira, Jackie Silva e Sandra Pires derrotaram Adriana Samuel e Mônica Rodrigues, garantindo ouro e prata ao Brasil e escrevendo um capítulo inédito na história olímpica nacional.
Ao relembrar a conquista, Jackie Silva afirma que a dimensão daquele momento só ficou clara com o passar dos anos.
– Só quando você vai jogar uma final olímpica, que você tem a dimensão de ser finalista olímpica. Isso, por si só, já é um feito muito grande. Depois eu percebi o impacto que aquilo teve – disse a ex-atleta.
Segundo a campeã olímpica, o legado ultrapassou a própria modalidade.
– Ali foi uma estrada aberta. Foi um marco importantíssimo para o esporte feminino. Não foi só o nosso ouro. Teve a prata das meninas no vôlei de praia, a prata do basquete e o bronze do vôlei. Foram os Jogos femininos do Brasil – completou Jackie.
Poucos dias depois, o vôlei brasileiro voltou ao pódio, desta vez nas quadras. A seleção feminina conquistou a medalha de bronze, a primeira olímpica da modalidade, com um elenco formado por nomes como Leila Barros, Ana Moser, Fernanda Venturini, Virna e Fofão.
Para Leila, a conquista representou o reconhecimento de um trabalho construído por diferentes gerações do voleibol brasileiro.
– Aquela medalha não representou apenas a minha geração. Representou a luta de várias gerações do voleibol feminino que nos antecederam e ajudaram a pavimentar esse caminho – disse a ex-jogadora.
Ela lembra que a campanha ficou marcada pela semifinal diante de Cuba, uma das maiores rivalidades da história da modalidade. O Brasil foi derrotado por 3 sets a 2, no tie-break, em um confronto equilibrado.
– O mundo parava às madrugadas, nos Grand Prix e em todas as competições, porque a final era sempre Brasil e Cuba. Então, a semifinal foi um momento muito marcante nessa conquista, e foi por muito pouco que a gente não chegou na final. A sensação é que naquele momento, em 1996, as duas melhores equipes, infelizmente, se cruzaram numa semifinal – recordou Leila.
– Muitas vezes nosso voleibol feminino jogava bem, mas não chegava ao pódio. Acredito que em 96 a gente quebrou isso, consolidamos aquilo que talvez o mundo já tivesse uma certa ideia: o voleibol do Brasil era muito técnico, muito versátil, e o que faltava era aquela medalha e a confiança – completou a medalhista de bronze.
Além dos feitos no vôlei, Atlanta também ficou marcada pela medalha de prata da seleção brasileira feminina de basquete, liderada por Hortência, Paula e Janeth. Até hoje, o resultado representa a melhor campanha olímpica da modalidade para o Brasil.
Ao recordar a conquista, Hortência destacou o significado de alcançar o pódio olímpico.
– Todo atleta sonha em participar de Jogos Olímpicos. Ganhar uma medalha é uma maneira de marcar uma geração – afirmou.
A ex-jogadora também ressaltou a importância daquele resultado para o reconhecimento do esporte feminino brasileiro.
– A nossa luta sempre foi abrir espaço e mostrar que o nosso crescimento tinha que ser respeitado. Nada melhor do que subir ao pódio e mostrar a nossa força – declarou Hortência.
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