quinta-feira, agosto 6, 2026 15:03

Presidente do Itaú vê calotes em alta enquanto taxas seguirem elevadas: ‘Não há quem defenda juros nesse patamar’

Milton Maluhy Filho assume presidência do Itaú Unibanco
Divulgação
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta quinta-feira (5) que os juros brasileiros seguem elevados e devem continuar a se refletir em um aumento da inadimplência e a impactar o orçamento das famílias.
“Não há quem defensa juros nesse patamar. O juro real [descontado a inflação] no Brasil, hoje, é muito alto […] e o que a gente precisa realmente é trabalhar para levar as taxas para um patamar mais baixo”, afirmou o executivo em entrevista ao Radar GloboNews, destacando que o ideal seria que as taxas caíssem para apenas um dígito.
“É [com os juros em patamares mais baixos] que conseguimos crescer a carteira [de crédito] com vigor, onde as famílias de fato tomam boas decisões de financiamento de imóvel, consumo ou da compra de um veículo, e onde as empresas conseguem investir com muito mais qualidade”, completa.
As falas de Maluhy Filho vêm apenas um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) reduzir a taxa básica de juros (Selic) pela quarta vez consecutiva, em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic ficou em 14% ao ano e atingiu o menor patamar desde março e 2025.
Agora no g1
No comunicado, o colegiado afirmou que entre os fatores que trazem riscos para uma possível alta de preços estão:
a inflação acima da meta por um período mais prolongado;
a alta no petróleo no mercado internacional;
eventos climáticos que afetem a produção agrícola e os custos de energia — como o El Niño;
os preços ainda elevados de serviços; e
uma eventual desvalorização do real.
O BC também alertou que estímulos ao consumo podem aquecer a economia além do esperado, aumentando a pressão sobre os preços.
Segundo Maluhy Filho, apesar da importância na manutenção das políticas sociais e de transferência de renda, o governo precisa recalibrar o quadro fiscal.
“Vimos um aumento da massa salarial, mas que não é sustentável no longo prazo, na medida em que o custo dessas transferências [de recursos] para o país tende a crescer no tempo se você não fizer uma priorização de gastos. Somos a favor da agenda social de transferências, mas precisamos ajustar o fiscal no longo prazo”, afirmou.
*Esta reportagem está em atualização.Segundo o executivo, o custo do crédito continua pesando sobre as famílias e tende a manter a pressão sobre a inadimplência.

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