terça-feira, julho 21, 2026 14:02

Mata Atlântica do Rio de Janeiro ganha Centro de Referência em Restauração Ecológica

Inauguração do Centro de Referência em Restauração Ecológica da Mata Atlântica, CERRE, em Silva Jardim – RJ
Luiz Thiago de Jesus/AMLD
A Mata Atlântica do Rio de Janeiro acaba de ganhar o Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE), um marco na história da proteção deste importante bioma. O espaço, em Silva Jardim, na Baixada Litorânea, foi inaugurado na sexta-feira (17) pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) com a presença de representantes de órgãos ambientais municipais, estaduais e federais, além de pesquisadores, proprietários rurais e entidades parceiras.
O CERRE está localizado na Fazenda Perdida, que é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, chamada de RPPN Parque do Mico II. No local, 130 hectares de área serão restaurados com o apoio dos projetos Floresta Viva, GEF Áreas Privadas e investidores nacionais e internacionais.
O processo de restauração poderá ser acompanhado pela comunidade acadêmica e proprietários rurais, já que o Centro será berço de novas pesquisas científicas, funcionando como um laboratório a céu aberto.
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A iniciativa resulta ainda de uma ampla aliança com instituições de pesquisa, como universidades e o PELD Rede (Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração), viveiristas e simpatizantes do programa de conservação do mico-leão-dourado.
“O CERRE reúne décadas de pesquisas em áreas como botânica, geologia, ecologia e vai permitir o desenvolvimento de estudos de longo prazo. É um centro construído a partir do trabalho da Associação Mico-Leão-Dourado e de universidades parceiras, que deve impulsionar novas pesquisas sobre restauração ecológica”, afirmou Jerônimo Sansevero, professor da UFRRJ e coordenador do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD Rede).
No local ocorrerá a capacitação de pesquisadores, estudantes, técnicos e trabalhadores rurais em metodologias de restauração e monitoramento da biodiversidade.
“O CERRE será um espaço importante para a formação de estudantes e pesquisadores. O centro permitirá acompanhar de perto as técnicas de restauração ecológica e oferecerá estrutura para pesquisas de campo, o que deve fortalecer a produção de conhecimento sobre o tema”, afirmou Marcelo Trindade Nascimento, chefe do Laboratório de Ciências Ambientais da UENF e curador do Herbário UENF.
A ideia é que o compartilhamento das experiências e aplicação dos conhecimentos adquiridos fortaleçam ainda mais a economia sustentável e o processo de restauração ecológica na Bacia do Rio São João, como explicou Carlos Alvarenga, engenheiro florestal da AMLD que coordena as atividades do CERRE.
“O objetivo do CERRE é disseminar experiências e ser um amplificador, com a ajuda de proprietários rurais, de práticas eficientes de restauração. O Centro quer treinar os estudantes, num laboratório a céu aberto. Haverá oficinas, workshops, simpósios, cursos, tudo para incentivar as melhores práticas com o solo e agroecológicas, como os Sistemas Agroflorestais (SAFs). O Centro vai mostrar que a restauração pode gerar renda e fortalecer a cadeia produtiva da região”, disse.
Luís Paulo Ferraz, secretário executivo da AMLD, mediou a roda de conversa durante a inauguração do Centro de Referência em Restauração Ecológica da Mata Atlântica
Luiz Thiago de Jesus/AMLD
Além de Carlos Alvarenga e Jerônimo Sansevero, participaram da roda de conversa Felipe Drummond, coordenador de Restauração Ecológica na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS/RJ); Flávio Valente, representante do Instituto Estadual do Ambiente (Inea); Gustavo Luna, representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); e Luiz Fernando Moraes, vice-presidente do conselho da AMLD e da Embrapa Agroecologia.
“O principal desafio é envolver os proprietários rurais no processo de restauração e mostrar que o uso sustentável do solo beneficia tanto o meio ambiente quanto a produção. O CERRE pretende incentivar esse engajamento e ampliar a adoção dessas práticas”, afirmou Luiz Fernando Moraes, vice-presidente do conselho da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD).
A cerimônia foi conduzida por Luís Paulo Ferraz, secretário executivo da AMLD, que explicou sobre a aquisição da fazenda onde fica o CERRE e de que forma a restauração na área será estratégica para a conexão do habitat do mico-leão-dourado.
“O CERRE foi criado para compartilhar experiências em restauração ecológica com pesquisadores, estudantes, visitantes e produtores rurais. A ideia é difundir técnicas e incentivar outros proprietários a adotar práticas sustentáveis em suas áreas”, explicou Luís Paulo Ferraz, secretário executivo da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD).
Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável
Público visitou a Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável, também inaugurada junto à programação de lançamento do CERRE, em Silva Jardim – RJ
Luiz Thiago de Jesus/AMLD
Além de conferir exposição interna e ao ar livre com painéis informativos sobre a restauração ecológica, o público realizou o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica e visitou a Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável, lançada durante o evento, em uma propriedade parceira.
No local serão aplicadas técnicas para o melhor manejo da pastagem, visando o aumento da produção impulsionado por práticas integradas à proteção e recuperação dos recursos naturais.
Na ocasião, o zootecnista Alisson Rodrigues Jordão tirou dúvidas sobre o trabalho desenvolvido no local, falou dos desafios e dos resultados promissores.
“A proposta da Unidade Demonstrativa é mostrar que é possível aumentar a produtividade da pecuária sem ampliar o desmatamento, adotando tecnologias e práticas sustentáveis. A ideia é que os produtores vejam esses resultados na prática e se sintam estimulados a adotar esse modelo”, afirmou Alisson Rodrigues, zootecnista e professor do IFF de Bom Jesus do Itabapoana.
O Centro de Referência em Restauração Ecológica da Mata Atlântica é hoje uma realidade graças ao apoio de financiadores no âmbito do Projeto Floresta Viva (SEAS, BNDES, Funbio e Aegea) e do Projeto GEF Áreas Privadas (IIS, UNEP, SBIO e MMA), além dos parceiros ExxonMobil, Irène M. Staehelin Foundation e Save the Golden Lion Tamarin.
“A área é estratégica para a conservação do mico-leão-dourado, e a expectativa é que os investimentos em restauração contribuam para melhorar a qualidade ambiental e ampliar a proteção da região”, afirmou Felipe Drummond, coordenador de Restauração Ecológica da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS).
Plantio de mudas marcou programação de inauguração do CERRE em Silva Jardim – RJ
Luiz Thiago de Jesus/AMLD
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