Israel e Hamas divergem sobre implementação do acordo de desmilitarização de Gaza
Israel não deixará a Faixa de Gaza até que o grupo extremista palestino Hamas se submeta a um “desarmamento genuíno”, afirmou uma autoridade israelense à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (31).
“Não haverá nenhuma retirada das Forças de Defesa de Israel da atual Linha Amarela, a menos que o Hamas passe por um desarmamento genuíno”, declarou o oficial, referindo-se à linha de demarcação militar de zonas de segurança acordada no cessar-fogo.
A declaração não oficial – o governo israelense ainda não se pronunciou – ocorre horas depois do Hamas confirmar que aceitou a proposta de acordo feita por mediadores e anunciada nesta quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento, e duas fontes do alto escalão do Hamas, que falaram sob a condição de anonimato à agência de notícias AFP, disseram que o grupo irá entregar suas armas para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), criado para governar o território após anos de guerra.
No entanto, segundo eles, isso só ocorrerá caso Israel cumpra sua parte e tire suas tropas de Gaza.
O Hamas está fazendo “concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento. Insistimos junto aos mediadores que Israel deve cumprir o acordo”, declarou Ghazi Hamad a agências.
De acordo com as fontes, o Hamas espera que os mediadores e o Conselho da Paz garantam que os israelenses cumpram o que foi estabelecido.
Abu Ubaida, porta-voz do Hamas, em foto de arquivo de novembro de 2019
REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
Trump comemorou ‘acordo histórico’ em rede social
Israel ainda não reagiu oficialmente ao acordo, anunciado na noite de quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o definiu em sua rede Truth Social como “um acordo histórico” e “um passo monumental rumo a uma paz e segurança duradouras”.
O Conselho da Paz, criado por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, também confirmou, em uma publicação no X, que o Hamas havia “aceitado um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza”.
“Agora, nossa atenção está voltada para a implementação”, escreveu a organização, acrescentando que o NCAG “começará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade”.
Initial plugin text
Trump, em uma publicação anterior, afirmou que, uma vez que o Hamas estiver desarmado, “as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza”.
A Força Internacional de Estabilização é uma estrutura em processo de criação que reunirá tropas de vários países sob a direção do Conselho da Paz. A entrada da organização foi autorizada por Israel no domingo (25).
Palestino sentado no topo de escombros de uma casa atingida por um ataque israelense em Deir al-Balah, no centro de Gaza.
Mahmoud Issa / Reuters
As negociações que levaram ao acordo
Negociações aconteciam há semanas no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que tem como objetivo pôr fim de forma definitiva à guerra.
O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel após o cessar-fogo assinado em outubro.
Segundo Trump, a entrega das armas é uma fase crucial para avançar em direção à instalação de um novo governo palestino no território. Israel controla mais de 60% de Gaza e exigia o desarmamento completo do Hamas e dos demais grupos palestinos antes de qualquer avanço no plano.
Apesar dos anúncios, uma fonte política israelense disse à AFP que o acordo proposto não soluciona “de forma satisfatória” as demandas de Israel por uma desmilitarização completa de Gaza, e que ele não foi debatido no encontro de Trump com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca.
No início de julho, o Hamas anunciou a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou querer transferir estas responsabilidades ao NCAG.
Israel não deixará a Faixa de Gaza até que o grupo extremista palestino Hamas se submeta a um “desarmamento genuíno”, afirmou uma autoridade israelense à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (31).
“Não haverá nenhuma retirada das Forças de Defesa de Israel da atual Linha Amarela, a menos que o Hamas passe por um desarmamento genuíno”, declarou o oficial, referindo-se à linha de demarcação militar de zonas de segurança acordada no cessar-fogo.
A declaração não oficial – o governo israelense ainda não se pronunciou – ocorre horas depois do Hamas confirmar que aceitou a proposta de acordo feita por mediadores e anunciada nesta quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento, e duas fontes do alto escalão do Hamas, que falaram sob a condição de anonimato à agência de notícias AFP, disseram que o grupo irá entregar suas armas para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), criado para governar o território após anos de guerra.
No entanto, segundo eles, isso só ocorrerá caso Israel cumpra sua parte e tire suas tropas de Gaza.
O Hamas está fazendo “concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento. Insistimos junto aos mediadores que Israel deve cumprir o acordo”, declarou Ghazi Hamad a agências.
De acordo com as fontes, o Hamas espera que os mediadores e o Conselho da Paz garantam que os israelenses cumpram o que foi estabelecido.
Abu Ubaida, porta-voz do Hamas, em foto de arquivo de novembro de 2019
REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
Trump comemorou ‘acordo histórico’ em rede social
Israel ainda não reagiu oficialmente ao acordo, anunciado na noite de quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o definiu em sua rede Truth Social como “um acordo histórico” e “um passo monumental rumo a uma paz e segurança duradouras”.
O Conselho da Paz, criado por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, também confirmou, em uma publicação no X, que o Hamas havia “aceitado um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza”.
“Agora, nossa atenção está voltada para a implementação”, escreveu a organização, acrescentando que o NCAG “começará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade”.
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Trump, em uma publicação anterior, afirmou que, uma vez que o Hamas estiver desarmado, “as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza”.
A Força Internacional de Estabilização é uma estrutura em processo de criação que reunirá tropas de vários países sob a direção do Conselho da Paz. A entrada da organização foi autorizada por Israel no domingo (25).
Palestino sentado no topo de escombros de uma casa atingida por um ataque israelense em Deir al-Balah, no centro de Gaza.
Mahmoud Issa / Reuters
As negociações que levaram ao acordo
Negociações aconteciam há semanas no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que tem como objetivo pôr fim de forma definitiva à guerra.
O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel após o cessar-fogo assinado em outubro.
Segundo Trump, a entrega das armas é uma fase crucial para avançar em direção à instalação de um novo governo palestino no território. Israel controla mais de 60% de Gaza e exigia o desarmamento completo do Hamas e dos demais grupos palestinos antes de qualquer avanço no plano.
Apesar dos anúncios, uma fonte política israelense disse à AFP que o acordo proposto não soluciona “de forma satisfatória” as demandas de Israel por uma desmilitarização completa de Gaza, e que ele não foi debatido no encontro de Trump com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca.
No início de julho, o Hamas anunciou a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou querer transferir estas responsabilidades ao NCAG.