sexta-feira, julho 10, 2026 16:52

Dia da Pizza: Brasil abre 13 pizzarias por dia, mas comprar uma pizza pesa cada vez mais no bolso

Pizza da Baco Pizzaria, em Brasília
Rafael Facundo
Celebrado nesta sexta-feira (10), o Dia da Pizza convida a olhar para um contraste da economia brasileira: enquanto o país abre, em média, 13 novas pizzarias por dia, com o menor número de fechamentos da última década, comprar uma pizza pesa cada vez mais no orçamento de parte das famílias.
É o que mostra o Índice Mozarela, desenvolvido pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) para medir o poder de compra das famílias paulistanas.
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Em 2021, metade dos distritos da cidade conseguiu comprar pelo menos 131 pizzas por mês com sua renda familiar média. Em 2025, essa mediana caiu para 120.
🍕 Inspirado no Índice Big Mac, o indicador calcula quantas pizzas de muçarela — sabor clássico e de menor preço — a renda familiar média consegue comprar em cada distrito da cidade, considerando os valores praticados pelas pizzarias da própria região.
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Embora o levantamento se restrinja à capital paulista, ele ajuda a retratar um dos principais mercados consumidores do país.
Isso porque, além de concentrar o maior número de pizzarias do Brasil, São Paulo é tradicionalmente considerada a capital nacional da pizza, o que faz da cidade um importante termômetro para acompanhar a relação entre preços, renda e consumo.
Peso da pizza no orçamento
Segundo o estudo, a alta no preço das pizzas reflete, entre outros fatores, o aumento do custo dos insumos. O principal deles foi a muçarela, que acumulou alta de quase 40% entre 2021 e 2025 e é um dos ingredientes mais importantes do produto.
Ao mesmo tempo, os rendimentos do trabalho não acompanharam o aumento do custo de vida da população, observa Rodolfo Ribeiro, um dos pesquisadores responsáveis pelo Índice Mozarela.
“Vivemos um período de baixo crescimento econômico, e isso acaba pressionando o orçamento das famílias, sobretudo das que têm menor renda”, explica.
Esse cenário aparece de forma bastante desigual entre os bairros da capital paulista. Em Alto de Pinheiros, a renda média permite comprar 313 pizzas por mês, o maior índice da cidade. Em Anhanguera, esse potencial de compra cai para 73 pizzas mensais.
As diferenças também aparecem nos preços cobrados pelas pizzarias.
📈 Pinheiros, Moema e Jardim Paulista concentram algumas das pizzas mais caras de São Paulo, com medianas de R$ 102,59, R$ 95,53 e R$ 93,49, respectivamente.
📉 Já Pedreira, José Bonifácio e Vila Jacuí registram os menores valores, de R$ 39,74, R$ 40,93 e R$ 41,15.
Segundo os autores do levantamento, essa diferença está ligada às características de cada mercado local. Nas regiões periféricas, a concorrência acontece principalmente pelo preço.
Como precisam conciliar custos de produção elevados com consumidores de menor poder de compra, os empresários têm pouca margem para utilizar ingredientes mais caros ou investir em diferenciais no produto e no serviço.
“O orçamento das famílias é muito limitado, então o preço baixo é fundamental para a venda. Isso faz com que os preços entre diferentes pizzarias variem muito pouco entre si”, destaca Ribeiro.
Nos bairros de maior renda, o cenário é diferente. O maior poder de compra dos consumidores amplia as possibilidades para os empresários diversificarem o cardápio, os ingredientes e a forma de comercializar seus produtos.
“O empreendedor possui mais ‘grau de liberdade’ para decidir que tipo de produto vai oferecer e como irá ofertá-lo. Isso permite que as empresas testem diferentes estratégias comerciais e nichos de mercado”, completa o pesquisador.
Mais pizzarias, menos fechamentos
A perda de poder de compra das famílias, no entanto, não impediu a expansão do setor. Enquanto o consumo ficou mais pressionado pelo orçamento, o mercado brasileiro de pizzarias continuou crescendo e alcançou, em 2025, seu maior tamanho já registrado.
Dados da Associação Pizzarias Unidas (Apubra) mostram que o Brasil encerrou o ano com 40.332 pizzarias ativas, alta de 10,29% em relação ao ano anterior. Foi também o período com o menor número de fechamentos da última década: 2.969 empresas encerraram as atividades, uma queda de 43,8% na comparação com 2024.
O ritmo permaneceu acelerado em 2026. Entre janeiro e maio, foram abertas 1.990 novas pizzarias, crescimento de 6,1% sobre o mesmo período do ano passado. Na prática, isso significa que o País passou a ganhar, em média, uma nova pizzaria a cada duas horas.
Segundo Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, os números mostram que o setor continua atraindo novos empreendedores e mantém um ritmo consistente de expansão, mesmo diante de um cenário econômico desafiador.
“Esse comportamento reforça a maturidade do segmento e a confiança dos empresários, que seguem investindo mesmo em um cenário econômico desafiador”, explica.
O crescimento também deixou de se concentrar apenas nos grandes centros urbanos.
Embora o Sudeste ainda reúna 51% das pizzarias brasileiras e São Paulo permaneça como principal polo do setor, cerca de três em cada quatro estabelecimentos inaugurados em 2026 abriram as portas fora do estado paulista.
📊 Norte e Nordeste lideram esse crescimento proporcional, indicando que a expansão do setor avança para além dos mercados tradicionalmente mais consolidados.
Na avaliação de Cardamoni, a tendência é que esse movimento continue nos próximos anos, mas acompanhado de um nível cada vez maior de profissionalização entre os empresários.
“Não se trata apenas de abrir novas unidades, mas de consolidar operações, tendo a diferenciação, a gestão eficiente e o profundo conhecimento do mercado local como fatores decisivos.”
Para a Apubra, a combinação entre a queda no número de fechamentos e o avanço das inaugurações indica um mercado mais maduro, em que a expansão vem acompanhada de maior capacidade de gestão e consolidação das operações.

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