terça-feira, setembro 15, 2026 03:05

Lucarelli rebate críticas sobre entrega da Seleção: “Ninguém aceita o momento que está”

Capitão da Seleção Brasileira masculina e jogador mais experiente do atual grupo, Lucarelli saiu em defesa da nova geração diante das cobranças pelos resultados recentes do vôlei brasileiro. Campeão olímpico nos Jogos do Rio 2016, o ponteiro rejeitou a ideia de que esteja faltando comprometimento ou entrega aos jogadores que hoje vestem a camisa do Brasil.

“Eu acredito que a parte da entrega não mudou. Acho que todo mundo que chega à Seleção dá o máximo sempre, porque sabe que tem mais umas 100 pessoas que gostariam muito de estar aqui, de ter essa oportunidade e representar o nosso país”, afirmou Lucarelli.

A Seleção atravessa um período distante dos resultados que marcaram boa parte das últimas décadas. Para Lucarelli, a insatisfação não está apenas entre os torcedores. Ela também é sentida por quem convive diariamente com a cobrança por recolocar o Brasil entre as principais forças do mundo.

“A gente sabe a responsabilidade que é, porque o Brasil é um país que tem uma história no vôlei de muitas vitórias. O momento de agora é um momento em que ninguém fica feliz. A torcida não fica feliz, mas principalmente nós, jogadores, porque, no final das contas, é o nosso dia a dia, é o nosso esforço que não está tendo resultado. Então a gente também fica triste.”

“Ninguém aceita o momento que está”

Lucarelli, que viveu por dentro uma das fases mais vitoriosas da Seleção e conquistou o ouro olímpico no Maracanãzinho em 2016, considera que o Brasil atravessa um processo. Mas faz questão de diferenciar a necessidade de paciência de uma eventual acomodação diante dos resultados.

“O mais importante é não sucumbir. A gente volta todo ano com a mesma determinação, treinando sempre com a mesma vontade, com vontade de evoluir e buscar resultado. Ninguém aceita, obviamente, o momento que está.”

Para o capitão, reconhecer que outras seleções estão atualmente à frente do Brasil é parte do caminho para diminuir essa distância.

“O segredo é exatamente isso: entender que estamos um passo atrás e treinar, buscar evoluir, estudar, entender realmente o que precisa evoluir para chegar ao nível das grandes equipes.”

Brasil estreia no Sul-Americano em busca da vaga olímpica

As declarações foram dadas por Lucarelli nesta segunda-feira (14), no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, na véspera da estreia do Brasil no Sul-Americano Masculino de Vôlei 2026. A Seleção comandada por Bernardinho enfrenta o Chile nesta terça-feira (15), às 20h, no mesmo ginásio, no primeiro passo em busca do título continental e, principalmente, da vaga direta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 destinada ao campeão da competição.

Lucarelli também ressaltou que o Brasil tem conseguido competir em alto nível contra algumas das principais seleções, mas ainda perde pontos importantes em detalhes.

“Quando a gente faz boas partidas contra as grandes equipes e joga num nível bom, é sempre jogo a jogo. Às vezes falta um detalhe, um erro, um vacilo um pouco mais bobo. Num jogo desse nível, as bolas mais simples são as mais importantes. É priorizar fazer o simples bem feito.”

Campeão olímpico defende a nova geração

Lucarelli tem uma posição privilegiada para analisar a mudança de gerações na Seleção. Campeão olímpico no Rio 2016, o ponteiro atravessou diferentes ciclos do time brasileiro e atualmente exerce também o papel de capitão do grupo comandado por Bernardinho.

Diante das comparações entre a geração campeã olímpica e os jogadores mais jovens, Lucarelli foi enfático ao defender os atuais companheiros.

“É óbvio não ser passivo e falar: ‘Vai passar’, porque eu acho que só vai passar se correr atrás. Mas eu tenho certeza de que estamos correndo atrás. Sou a prova disso. Tive o prazer de estar também na Seleção que ganhou o ouro olímpico e estou aqui ainda. Não posso dizer mal sobre os garotos que estão aqui. Todo mundo se dedica e quer buscar os resultados que a gente tanto almeja.”

A experiência acumulada ao longo de mais de uma década na Seleção também faz Lucarelli enxergar o atual momento brasileiro dentro de um contexto maior. O ponteiro lembrou que adversários que hoje ocupam as primeiras posições do cenário internacional também enfrentaram períodos de resultados ruins.

“Eu estou aqui há muito tempo e peguei algumas dessas seleções que hoje estão no topo em momentos em que estavam bem mal também. Nos países deles teve cobrança, teve expectativa de melhora, e melhoraram. Hoje estão de novo no topo.”

Lucarelli volta ao vôlei brasileiro

Depois da passagem pelo vôlei japonês, Lucarelli retorna ao Brasil para defender o Itambé Minas na temporada 2026/27. A volta acontece em um momento no qual o ponteiro segue como uma das principais referências de experiência da Seleção.

Além da bagagem internacional, Lucarelli carrega a experiência de ter participado de uma das maiores conquistas da história do vôlei brasileiro. Por isso, ao comparar o time atual com a geração campeã olímpica, o capitão evita colocar a diferença de resultados na conta de uma suposta falta de vontade.

Para ele, a recuperação do protagonismo brasileiro passa justamente por reconhecer o momento e continuar trabalhando.

“É óbvio não ser passivo e achar que simplesmente vai passar. Só vai passar se correr atrás da atual geração diante da cobrança pelos resultados.

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