quinta-feira, julho 9, 2026 16:03

Palestina marca primeiras eleições legislativas em quase duas décadas

Hamas anuncia que vai entregar o governo da Faixa de Gaza
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, assinou nesta quinta-feira (9) um decreto que convoca eleições legislativas para 28 de novembro.
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O anúncio ocorre três dias após o grupo terrorista Hamas anunciar sua saída do governo da Faixa de Gaza. Caso se concretizem, as eleições serão as primeiras do tipo em quase duas décadas.
“O decreto presidencial conclama o povo palestino em Jerusalém, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza a participar de eleições legislativas livres e diretas para escolher os membros do Conselho Legislativo Palestino na data estabelecida”, informou a agência oficial de notícias Wafa, que cita o texto do decreto.
Na segunda-feira (6), o Hamas anunciou a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza, mantido pelo grupo por quase duas décadas, em uma coletiva de imprensa.
O chefe do governo ligado ao grupo, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo e a saída abriu caminho para que um comitê tecnocrático palestino implemente o governo civil no território.
🔎 A Faixa de Gaza tem sido administrada pelo grupo terrorista desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
Palestino sentado no topo de escombros de uma casa atingida por um ataque israelense em Deir al-Balah, no centro de Gaza.
Mahmoud Issa / Reuters
De acordo com Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo Hamas em Gaza, a medida foi tomada “para aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução, o cerco contínuo, o fechamento das passagens de fronteira e a recusa do Exército israelense em se retirar”.
m um comunicado separado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que a medida visa eliminar pretextos para a interferência israelense e reafirmou o compromisso do grupo em transferir todas as responsabilidades de governança em Gaza.
Agora no g1
Em meados de junho, facções palestinas reuniram-se com mediadores no Cairo e apresentaram sua proposta para a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza.
O roteiro, apresentado pelo “Conselho de Paz” liderado pelos EUA, inclui mecanismos para o futuro de Gaza, incluindo reconstrução, desarmamento, retirada israelense e implantação de uma força internacional de paz.
Também na segunda-feira, cinco palestinos foram mortos e pelo menos 18 ficaram feridos em ataques israelenses distintos contra pessoas deslocadas e áreas residenciais no sul de Gaza e na Cidade de Gaza, segundo Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil em Gaza – também controlada pelo Hamas.
Os ataques ocorreram apesar de um acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro de 2025. O Hamas e Israel continuaram a trocar acusações de violação da trégua.
Autoridades de saúde sediadas em Gaza informaram nesta segunda que o número de mortos desde o cessar-fogo chegou a 1.072, com 3.463 feridos. Ao todo, o número de mortos em Gaza desde o início do conflito, em outubro de 2023, é de 73.098, com 173.571 feridos.
Governo Trump endossa anúncio
O Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o comitê encarregado de governar Gaza deve controlar todas as armas em circulação no território.
“O princípio fundamental continua sendo uma única autoridade, uma única lei e uma única arma. Isso significa a consolidação de todas as armas sob o controle do NCAG (Comitê Nacional para a Administração de Gaza)”, afirmou o conselho em um comunicado divulgado no X (ex-Twitter).
O NCAG, atualmente sediado no Cairo, foi criado pelo Conselho de Paz, instituído por Trump durante as negociações por um cessar-fogo em Gaza, em outubro de 2025.
Decisão é ‘simbólica’
O cientista político Mkhaimar Abusada explicou à AFP que se trata, antes de tudo, de uma decisão “simbólica” por parte do Hamas.
“O problema não é a dissolução do seu comitê governamental, e sim a aceitação de seu desarmamento (…) continua sendo o principal ponto de bloqueio”, acrescentou.
A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de palestinos presos por Israel.
A passagem para a segunda fase, que deveria prever o desarmamento do Hamas e uma retirada progressiva das forças israelenses de Gaza, está há meses estagnada, e Israel reforçou sua presença no território.
Israel descarta o retorno do Hamas ao poder, mas também se opõe, por enquanto, a que a Autoridade Palestina assuma o controle. Hamas e Israel se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo.

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