domingo, julho 5, 2026 19:25

A história das músicas tocadas nos estádios da Copa do Mundo

As músicas que você ouve tocando nos estádios dos jogos da Copa do Mundo não são escolhidas aleatoriamente. Centenas delas — mais de 750, na verdade, segundo a Fifa — foram selecionadas com antecedência pela “Equipe de Entretenimento nos Estádios”.
Em conjunto com as federações nacionais participantes da Copa, essa equipe da Fifa cria playlists que combinam clássicos dos estádios com músicas favoritas específicas de cada país.
Torcida brasileira em NY durante Brasil x Haiti
Caean Couto/Reuters
Cada seleção tem uma música “símbolo” tocada quando a escalação é anunciada, uma música para o aquecimento e uma faixa que é tocada caso marquem um gol. E, após cada jogo, um grupo de torcedores pode cantar junto com a música da equipe vencedora após a partida.
Para o Brasil, segundo apuração do ge, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) produziu uma trilha sonora especial para esta competição. Encabeçada por Papatinho, “Bate no Peito” reúne diversos ritmos nas vozes de Ludmilla, João Gomes, Zeca Pagodinho, Samuel Rosa e Veigh.
Na primeira vitória da seleção brasileira e depois da vitória sobre a Escócia, a música que tocou nos estádios onde aconteceram os jogos foi “Festa”, de Ivete Sangalo.
Retrato cultural da Copa
As playlists oferecem um interessante retrato cultural da Copa do Mundo, da qual 48 seleções participaram pela primeira vez em 2026.
Algumas faixas — como “Seven Nation Army”, do The White Stripes; “Thunderstruck”, do AC/DC; e, sim, o sucesso do Eurodance dos anos 1990 “Freed from Desire”, do Gala, que vem circulando pelos estádios esportivos há pelo menos uma década — têm alcance global, aparecendo em mais de uma lista.
Músicas como essas, que se tornam populares, têm algumas coisas em comum. Elas precisam ser cativantes, divertidas e reconhecíveis, disse Andrew Lawn, autor britânico de “We Lose Every Week: The History of Football Chanting”.
“Elas ficam associadas a um momento se esse momento for bem-sucedido. Então, permanecem na memória porque esse tipo de emoção fica, de certa forma, ligada à música”, disse ele.
A Argentina, por exemplo, escolheu “El Matador”, dos Los Fabulosos Cadillacs, como música de aquecimento e de comemoração de gols. A faixa, com seu refrão “Matador! Matador!”, pode parecer que está celebrando as habilidades mortíferas de Lionel Messi na frente do gol.
Na prorrogação, Argentina elimina Cabo Verde e avança na Copa
Jornal Nacional/ Reprodução
Mas a música, com influências do reggae, trata das ditaduras latino-americanas e da violência de Estado da década de 1970.
A faixa de 2025 do DopeNation “Kakalika” é tanto a música símbolo quanto a música de gol de Gana. A dupla ganesa por trás da música a descreveu como uma mistura de estilos musicais e idiomas nacionais e globais, com o objetivo de abraçar a diversidade e incentivar os ouvintes a se divertirem.
O México escolheu três faixas diferentes do Mariachi Vargas, uma banda folclórica de mariachis fundada em 1897, que já passou por várias gerações e continua forte até hoje, enquanto a Coreia do Sul optou por uma seleção de faixas de K-Pop de artistas como Blackpink e BTS.
Quando Kylian Mbappé marcar um gol pela França — mais uma vez —, os torcedores poderão cantar junto com a música “One More Time”, da dupla francesa de música eletrônica Daft Punk, cuja letra combina perfeitamente com o momento.
A música tema da Austrália é o clássico “Down Under”, do Men At Work, enquanto o aquecimento da Bélgica é o hino techno “Pump Up the Jam”, do Technotronic.
Às vezes, a escolha da música evolui ao longo do torneio em resposta às reações dos torcedores. “Wonderwall”, do Oasis, tornou-se uma presença constante após o sucesso obtido na primeira partida da Inglaterra na Copa do Mundo de 2026 — a vitória por 4 a 2 sobre a Croácia —, quando os torcedores cantaram junto.
Foi um dos seus momentos favoritos de todos os tempos vestindo a camisa da Inglaterra, conectando a equipe aos torcedores, disse o capitão Harry Kane no “Lions’ Den”.
Da mesma forma, “Take Me Home, Country Roads”, de John Denver, tornou-se rapidamente uma das favoritas da torcida dos Estados Unidos, que vinha enfrentando críticas na internet por seu canto um tanto sem criatividade: “USA! USA!”.

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