segunda-feira, novembro 2, 2026 19:10

Eleições nos EUA: partidos encerram campanha antes das decisivas midterms

Midterms – Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA)
REUTERS/Mike Segar
Democratas e republicanos finalizam nesta segunda-feira (2) a campanha com os últimos comícios antes das decisivas eleições de meio de mandato, que podem provocar uma grande mudança no Congresso.
O presidente Donald Trump anunciou um discurso para 14h00 (16h00 de Brasília) no espelho d’água da capital, diante do Memorial Lincoln, que ele ordenou reformar e que se tornou um dos símbolos de seu empenho de iniciar obras para restaurar Washington.
Os democratas demonstram um cauteloso otimismo na véspera de uma votação que poderia resultar no controle do Congresso para o partido, enquanto Trump e os republicanos intensificam os esforços para mobilizar sua base eleitoral.
Os americanos estão convocados a renovar a totalidade da Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e um terço (35 dos 100 assentos) do Senado. Além disso, devem escolher 36 governos estaduais.
Em sua última projeção antes do dia da eleição, a empresa de previsões Decision Desk HQ estimava que o Senado passaria a uma maioria de 52-48 a favor dos democratas e que o partido opositor obteria uma confortável vantagem de 241-194 na Câmara dos Representantes.
Em caso de vitória em ambas as Câmaras, a oposição pretende abrir diversas investigações contra o presidente Trump, seu governo e sua família, além de tentar bloquear suas nomeações, assim como o financiamento da guerra no Irã.
A ala socialista dos democratas, que pode emplacar um número recorde de representantes e senadores, quer inclusive abrir um debate sobre o futuro da polícia migratória (ICE).
Os republicanos esperam apenas manter o controle de uma das duas Casas e obrigar os democratas na Câmara dos Representantes a negociar as verbas orçamentárias.
O que está em jogo
A votação antecipada já bateu um recorde: 53 milhões de pessoas já depositaram seus votos em todo o país.
“Poderíamos ver, inclusive, um recorde de participação total, parece altamente provável”, declarou ao canal CBS David Becker, diretor executivo do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral.
Para retomar o controle do Senado, os democratas precisam virar quatro cadeiras. As pesquisas indicam uma vantagem apertada dos democratas em cinco estados, alguns tradicionalmente conservadores, como Texas, Carolina do Norte e Kansas.
Sete em cada 10 americanos têm uma avaliação ruim sobre Donald Trump, de sua incapacidade de controlar a inflação e da guerra que declarou ao Irã e que se prolonga inexoravelmente.
O presidente conta com uma enorme popularidade entre sua base, mas em um país polarizado como os Estados Unidos são os eleitores independentes que fazem a balança pender para um lado ou outro.
“Os democratas têm uma leve vantagem sobre os republicanos em termos de filiação partidária entre os adultos dos Estados Unidos: 47% se identificam com o Partido Democrata ou tendem a apoiá-lo, e 43% se identificam com o Partido Republicano ou tendem a apoiá-lo”, afirmou o Pew Research Center.
Mas 10% do eleitorado não se comprometeu com nenhum partido e não expressou opinião, a maior proporção de eleitores indecisos em quase uma década.
Uma derrota estrondosa poderia significar o começo do fim da presidência Trump. O republicano foi alvo de duas tentativas de impeachment por parte dos democratas durante seu primeiro mandato.
Em tom desafiador, o republicano advertiu que pode virar o “Sr. Veto” para barrar as iniciativas legislativas da oposição.
Gasto bilionário
As eleições de meio de mandato registraram gastos de quase 11 bilhões de dólares (quase 60 bilhões de reais) em publicidade, grande parte procedente de doadores individuais.
O bilionário Elon Musk, um grande aliado de Trump que liderou o chamado DOGE – departamento criado pelo presidente para reduzir o tamanho do governo federal -, contribuiu com quase 500 milhões de dólares em campanhas de candidatos republicanos.
Do lado democrata, o grande doador nas sombras é o também bilionário George Soros, que não apoia apenas políticos, mas também candidatos de esquerda para os cargos de promotor, governador ou prefeito.
A noite eleitoral pode ser longa. No Alasca, a crise provocada por dois candidatos rivais com o mesmo nome levou o governo Trump a tentar impugnar o resultado. O governo do estado já anunciou uma investigação interna.

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